Assassinato de José L. Cabezas: onde está Gustavo Prellezo?

Handreza Hayran
5 Minutos de Leitura
Gustavo Prellezo

Em 25 de janeiro de 1997, o fotógrafo de notícias José Luis Cabezas foi assassinado. O assassinato de José Luis Cabezas tornou-se um dos principais emblemas da luta argentina pela liberdade de imprensa e liberdade de expressão. 

Nascido em 28 de novembro de 1961 em Wilde, no distrito de Avellaneda da Grande Buenos Aires, começou a trabalhar na revista News em 1989.

Durante sua carreira, fotografou as principais personalidades políticas e culturais da Argentina, muitas vezes capturando sua essência em formas criativas, lúdicas e maneiras únicas.

Em 1995, Cabezas ganhou o prêmio Premio Pléyade de ‘Melhor Foto de Imprensa’. Foi nessa época que Domingo Cavallo, então ministro da Economia da Argentina, denunciou o empresário Alfredo Yabrán, descrevendo-o como chefe de uma organização mafiosa que gozava de proteção política e judicial.

José Luis Cabezas foi assassinado por causa de uma foto?

A revista Notícias já havia investigado Yabrán anos antes. Eles investigaram seus supostos “crimes econômicos”, negócios com o Estado e seu relacionamento com a brutal ditadura militar de 1978-1983. Até então, sua identidade era desconhecida, pois Yabrán não permitia fotos de imprensa. Quase ninguém sabia como ele era.

No verão de 1996, José Luis fotografou Yabrán caminhando pelas praias de Pinamar com sua esposa. Alguns dias antes, o colega de Cabezas, o jornalista Gabriel Michi, também havia feito algumas fotos do empresário, mas não foram suficientes para permitir sua identificação. 

Mas Cabezas finalmente conseguiu capturá-lo. A foto foi impressa na capa do Noticias de 3 de março de 1996, revelando o rosto de Yabrán para o mundo e permitindo que ele fosse reconhecido.

Pelo resto daquele ano, Cabezas recebeu ameaças de todo tipo.

Gustavo Prellezo estava envolvido no crime

No início de janeiro de 1997, José Luis Cabezas voltou ao litoral para cobrir as férias de verão. 

Em 24 de janeiro, ele foi a uma festa anual organizada pelo empresário Oscar Andreani, junto com Gabriel Michi. O jornalista saiu às 4h, mas Cabezas decidiu ficar mais um pouco. Foi lá que as chaves do carro Ford Fiesta que ele usava para trabalhar foram encontradas na tarde seguinte. 

Por volta das 5h, o fotógrafo deixou a residência e, pouco antes de chegar ao apartamento onde estava hospedado, foi interceptado sob a mira de uma arma por Horacio Braga e Sergio González, que o espancaram e o jogaram na traseira do Ford Fiesta. 

O subinspetor de polícia Gustavo Prellezo, José Auge e Héctor Retana estavam em outro carro próximo. 

O grupo o levou para uma caverna perto de General Madariaga, onde Prellezo disparou duas balas em sua cabeça, matando-o.

Em seguida, eles colocaram o corpo no carro e o incendiaram. Foi encontrado pelo zelador de alguns terrenos ao redor em algum momento entre 5h30 e 7h15. O assassinato levou menos de duas horas.

Gustavo Prellezo recebeu pena de prisão perpétua

Em fevereiro de 2000, Prellezo havia recebido prisão perpétua por ser o co-autor responsável por um plano de sequestro e execução do fotógrafo com dois tiros em 25 de janeiro de 1997 em Pinamar.

Nos últimos anos, todos os condenados foram soltos, enquanto em 2010 começaram os benefícios para Prellezo

Gustavo Prellezo teve direito a prisão domiciliar

Recebeu prisão domiciliar, graças à qual agora vive em uma casa em Los Hornos, em La Plata. 

Em seguida, acrescentou mais autorizações especiais, como a autorização para fazer uma caminhada de uma hora por dia devido à hérnia de disco, ir ao hospital sem custódia e estudar na Faculdade de Direito da Universidade Nacional de La Plata.

Enquanto isso, em 8 de janeiro, poucos dias após o 20º aniversário do crime do fotojornalista, Prellezo foi posto em liberdade condicional por decisão do Tribunal de Apelações de Dolores, que estimou que em cinco anos ele poderia ser totalmente livre.

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Nascida e criada em Petrolina-PE, Handreza Hayran é co-fundadora e editora do Foco e Fama. Formada em Computação pela UFRPE, ela também é fã de tecnologia, filmes e séries. Além disso, acredita que histórias bem contadas, são presentes incrivelmente valiosos.