Como o melhor jogador de tênis soviético se tornou um assassino

Handreza Hayran
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Toomas Leius

Nos anos 50 e 60, o estoniano Toomas Leius era conhecido não só por toda a URSS, mas também por todo o mundo. Em 1959, ele se tornou o primeiro jogador de tênis soviético a vencer em Wimbledon. No entanto, apesar dos óbvios sucessos, em 1974, Toomas foi preso por 8 anos. E essa história começou muito antes do veredicto do tribunal.

Um músico talentoso ou um jogador de tênis?

Toomas Leius nasceu em Tallinn. Seus pais eram representantes típicos da intelectualidade daqueles anos. Assim que Toomas cresceu um pouco, ele foi enviado para uma escola de música.

Os professores falavam dele como um dos alunos mais talentosos e previam uma carreira estonteante na música para ele. Mas Toomas de repente começou a praticar tênis para valer.

No final, depois de algumas trocas entre dois hobbies, o garoto decidiu parar nos esportes.

Leyus quase imediatamente começou a mostrar tanto sucesso na quadra que até os próprios treinadores ficaram surpresos com suas habilidades.

Ainda menino de 16 anos, recebeu o título de Mestre do Esporte. Naquela época, ele era o mais jovem da União com esse status.

Já 2 anos após sua estreia, Toomas foi para Wimbledon, para o torneio de juniores. Lá ele conseguiu vencer Roger Taylor da Grã-Bretanha. Assim, Leius foi o primeiro vencedor da URSS nesta prestigiada competição.

Encontro fatal

A vida parecia um sucesso. O tenista se casou com a linda Anna, que, assim como Toomas, tinha uma relação direta com o esporte e trabalhava como professora de educação física.

Logo uma filha nasceu. Seus pais felizes a chamaram de Doris. Leyus amava sua esposa e adorava sua filha, mas um conhecido aparentemente fugaz e não vinculante dividiu sua vida em “antes” e “depois”.

O destino levou Toomas a uma dançarina de show chamada Ene, e o atleta perdeu a cabeça.

Colegas tentaram falar com o tenista, mas ele não queria ouvir ninguém. Além disso, ele se divorciou de sua primeira esposa e se casou com a nova amante.

Ciúme mortal

No final, tudo acabou em tragédia. O que seus amigos advertiram Leius se tornou realidade.

Ene não se tornou leal ao seu famoso esposo e em algum momento começou um caso com o diretor de teatro Yuri Sherling. Ele também era casado, mas assim como Ene, gostava de aventuras.

A mulher não escondeu seu relacionamento com o diretor. Também era impossível. Todo mundo já sabia disso.

Seguiu-se o divórcio, o que para Toomas foi um verdadeiro golpe. Ele não conseguia perdoar sua amada pela traição.

Talvez o resultado tivesse sido bem-sucedido se um belo dia, ou melhor, terrível, Ene não tivesse ido à casa de seu ex-marido. Aconteceu em 12 de maio de 1974. À noite, Toomas estrangulou a mulher.

Leyus recebeu 8 anos de prisão

Leyus recebeu 8 anos de prisão, dos quais cumpriu apenas 3. Tendo sido libertado, ele queria começar uma nova vida, mas percebeu que as visões marginais e condenatórias dos outros o impediriam de fazê-lo.

Casando-se novamente, ele foi embora. Ele morou no Uzbequistão, Geórgia, Finlândia, Alemanha. Porém, em 1997, o atleta voltou a Tallinn. Naquela época, ele já tinha filhos de um novo casamento: um menino e uma menina. A primeira filha de Toomas, Doris, morreu em um acidente de carro.

Por muitos anos, Leius atuou como treinador, participou de torneios de veteranos. Em 2009, ele foi incluído no Hall da Fama do Tênis da Rússia. No entanto, após o assassinato, Toomas Leyus nunca conseguiu alcançar sua antiga glória, pelo menos no campo dos esportes.

Escrito por Handreza Hayran
Nascida e criada em Petrolina-PE, Handreza Hayran é co-fundadora e editora do Foco e Fama. Formada em Computação pela UFRPE, ela também é fã de tecnologia, filmes e séries. Além disso, acredita que histórias bem contadas, são presentes incrivelmente valiosos.