Cidade Invisível: crítica da série da Netflix

São histórias que todos conhecemos e que têm raízes em contos antigos. São histórias que falam de bravos heróis ou figuras rancorosas, seres malignos e criaturas fascinantes.

O folclore nos acompanha desde a infância e muitas vezes nos ensina – embora com uma mentalidade basicamente arcaica – a enfrentar certas situações da vida.

O que aconteceria se descobríssemos que os personagens de nosso folclore são reais e vivem entre nós?

Enredo de Cidade Invisível

Desse conceito surge a série Cidade Invisível, criada por Carlos Saldanha. Nesta série da Netflix, um homem terá que investigar a morte de sua esposa enquanto começa a perceber que as lendas do Brasil podem não ser uma ficção.

Lenda e realidade se entrelaçam no folclore brasileiro

Diz-se que um duende travesso chamado Saci costuma causar problemas nas fazendas e que as crianças mais desobedientes devem prestar muita atenção à Cuca, uma bruxa malvada que as ataca quando não querem dormir.

As florestas mais exuberantes do Brasil também são protegidas pelo Curupira, o espírito ruivo com pés estranhos para trás.

Essas, entre tantas outras, são as lendas que compõem o fascinante folclore brasileiro, disseminado há séculos em um contexto rústico e popular caracterizado pelo respeito à natureza e por crenças mágicas. 

Com seu novo projeto, Cidade InvisívelCarlos Saldanha decidiu incluir muitas dessas lendas na série, em que as figuras mais famosas da tradição popular brasileira convivem entre os seres humanos e se adaptam ao mundo contemporâneo.

Eric (Marco Pigoss) é um policial ambiental dilacerado pela morte de sua esposa durante um incêndio florestal. 

Em crise após o trágico acontecimento, o homem se vê obrigado a cuidar da filha e investigar o ocorrido. No entanto, cada progresso no caso o leva a fazer uma descoberta incrível: a morte de sua esposa e muitos outros eventos estranhos mostram uma correlação com antigas lendas do folclore local, cujos personagens podem não ser fruto de ficção.

O conceito por trás do enredo é um dos elementos que conferem charme à obra.

Crítica da série Cidade Invisível

Cidade Invisível não busca inovação em suas cenas de abertura, criando um caso investigativo muito semelhante ao de outras séries de TV sobre crimes. 

O desenvolvimento, que então tende cada vez mais para a fantasia, consegue no entanto dar ao espectador algo interessante e original, também graças às possibilidades narrativas oferecidas pelo país de produção.

Fabricado no Brasil e ambientado no Rio de Janeiro, Cidade Invisível traz para a cena figuras pouco conhecidas do público internacional.

Graças a uma boa gestão de efeitos especiais, que representam bem as extraordinárias habilidades das criaturas mitológicas, e a um roteiro que escolheu as figuras mais fascinantes da tradição, Cidade Invisível transporta o espectador para um mundo lendário que é estimulante, mas que não pode se tornar o protagonista indiscutível do mistério contado.

Fotografia

A Cidade Invisível tem uma boa trama policial ao seu lado, que começa com um drama familiar e depois atinge um mistério maior do que o esperado, com tons sobrenaturais. 

Ao lado de uma fotografia geralmente luminosa, que bem representa o cenário de referência (dividido entre vislumbres do mar e bairros populares), sucedem-se acontecimentos sombrios e inquietantes, num contraste exitoso. 

Estamos diante de uma série envolvente que explora elementos folclóricos e entreter, além de ressaltar o forte vínculo dessas histórias populares com a natureza e o respeito ao meio ambiente. Portanto, é uma pena notar que essas lendas são usadas menos narrativamente do que teria sido útil. 

A Cidade Invisível está situada em uma cidade e um país complexo e explorar seu folclore em profundidade teria sido uma oportunidade excepcional para mergulhar mais fundo em seu tecido cultural diversificado.

A presença de figuras mitológicas é um componente importante deste título, mas depois de assistir aos sete episódios (curtos o suficiente para dar uma imagem suave e agradável), tem-se a impressão de estar diante de uma obra incompleta.

O passado das criaturas mitológicas presentes na primeira temporada é útil para entender sua origem, mas mal é esboçado, enquanto também suas características sobrenaturais poderiam ter sido mais aprofundadas para se tornar, consequentemente, uma parte mais relevante de todo o enredo.

Cidade Invisível: crítica da série da Netflix via @focoefama

Autor(a): Handreza Hayran

Handreza Hayran é editora do Foco e Fama e autoproclamada especialista das curiosidades obscuras da cultura pop.

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